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Vidas Secas - Graciliano Ramos

domingo, 20 de setembro de 2015


Trata-se de um livro muito triste. Passa-se no sertão Nordestino, onde uma família de cinco integrantes (Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e uma cadela) tentam sobreviver à seca e às condições sub-humanas que encontramos no sertão.

Não tem um enredo muito complexo, são apenas fatos corriqueiros que acontecem com uma família extremamente pobre, o que dá uma originalidade ao livro. Afinal, as pessoas ali estão lutando para sobreviver e não tem tempo de ficar filosofando e pensando em futilidades.

Além da pobreza, os personagens são ainda analfabetos, fazendo o autor optar por poucos diálogos, e até o próprio Fabiano tem um trecho pensando sobre isso: não fala pois não sabe o que falar e  tem medo de ser vítima de chacota.

No geral o livro tem um vocabulário bem complicadinho, e a história não é daquelas que te pega e faz ler até o final com uma ânsia do que vai acontecer, ao contrário, a narração do cotidiano dessa família apenas nos dá uma angústia pelo sofrimento. 


É um dos livros que mais se sente dó dos personagens: são enganados, maltratados, desesperançosos, marginalizados, animalescos, excluídos e desinstruídos. Vemos com 'Vidas Secas' que a pobreza e a ignorância é um negócio complicado e difícil de resolver, que resulta em pessoas alienadas, desanimadas e tristes. 

Para quem vai fazer vestibular, pode ler tranquilo, é chatinho mas também bem curtinho, e até tem seus momentos bons e passagens interessantes e reflexivas. Aliás o autor é bem interessante e até pretendo ler um outro livro seu: Memórias do Cárcere. Se tiver interesse, fique atento para as próximas resenhas.

Capitães da Areia (Jorge Amado)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Não li muitos livros brasileiros, principalmente os clássicos, mas dentre os que li o que mais gostei até hoje, foi Capitães da Areia, de Jorge Amado.

A história é sobre um grupo de moleques marginalizados que precisam cometer ações para sua própria sobrevivência. Há vários personagens, como Pedro Bala, Sem Pernas, Volta Seca, o Professor, Dora entre outros.

Esses garotos cometem pequenas infrações tentando obter algum conforto e estabilidade a suas vidas. E há duas visões diferentes em relação aos garotos: eles contam com ajuda de alguns (o padre, por exemplo), e o julgamento de outros (o diretor do reformatório e o jornal, por exemplo).

É interessante como o livro continua tão atual. Com essa discussão que se teve sobre a Maioridade Penal, quem já leu Capitães acredito que tem outra visão em relação a essas crianças do mundo do crime. É trabalhado no livro, o fato de que muitas crianças cometem esses atos não porque querem, mas porque não possuem oportunidades e são condicionadas pelo sistema a fazer o que fazem.
É uma triste realidade.

A narrativa é bem leve (se comparado a outros livros de vestibular), o enredo bem legal e jovial. A linguagem é informal e os personagens são carismáticos: é fácil se identificar, sentir pena e torcer por eles.


Mesmo para quem não vai fazer vestibular, indico esse livro, é bem gostosinho de ler, e brasileiro!


 
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