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Vidas Secas - Graciliano Ramos

domingo, 20 de setembro de 2015


Trata-se de um livro muito triste. Passa-se no sertão Nordestino, onde uma família de cinco integrantes (Fabiano, Sinhá Vitória, dois filhos e uma cadela) tentam sobreviver à seca e às condições sub-humanas que encontramos no sertão.

Não tem um enredo muito complexo, são apenas fatos corriqueiros que acontecem com uma família extremamente pobre, o que dá uma originalidade ao livro. Afinal, as pessoas ali estão lutando para sobreviver e não tem tempo de ficar filosofando e pensando em futilidades.

Além da pobreza, os personagens são ainda analfabetos, fazendo o autor optar por poucos diálogos, e até o próprio Fabiano tem um trecho pensando sobre isso: não fala pois não sabe o que falar e  tem medo de ser vítima de chacota.

No geral o livro tem um vocabulário bem complicadinho, e a história não é daquelas que te pega e faz ler até o final com uma ânsia do que vai acontecer, ao contrário, a narração do cotidiano dessa família apenas nos dá uma angústia pelo sofrimento. 


É um dos livros que mais se sente dó dos personagens: são enganados, maltratados, desesperançosos, marginalizados, animalescos, excluídos e desinstruídos. Vemos com 'Vidas Secas' que a pobreza e a ignorância é um negócio complicado e difícil de resolver, que resulta em pessoas alienadas, desanimadas e tristes. 

Para quem vai fazer vestibular, pode ler tranquilo, é chatinho mas também bem curtinho, e até tem seus momentos bons e passagens interessantes e reflexivas. Aliás o autor é bem interessante e até pretendo ler um outro livro seu: Memórias do Cárcere. Se tiver interesse, fique atento para as próximas resenhas.

Dom Casmurro (Machado de Assis)

quinta-feira, 25 de junho de 2015


O tão aclamado Dom Casmurro (Machado de Assis) me pareceu ameno. A escrita não é tão cansativa, nem muito complicada, mas faltou algum elemento para eu gostar dessa obra.

Esperava mais do livro. Não sei se sou ignorante, ou o que, mas não vi nada de genialidade. Na verdade, o começo do livro me lembrou de Memórias Póstumas de Brás Cubas, outro livro de Machado, quando fala da situação financeira da família, e por se passar também no Rio de Janeiro, e pelo final onde (spoiler) o narrador acaba sozinho e amargo.

A trama é bem construída, mas acho o conhecimento sobre a história de traição entre Bento, Escobar e Capitu, acabou estragando algumas reviravoltas contadas pelo narrador personagem.

Entretanto, não há nenhum confronto interessante, o livro é composto por memórias do narrador (assim como Memórias Póstumas), o que pode nos leva a duvidar de certas passagens, mas, como não conta com o ponto de vista de outros personagens, ficaremos na dúvida.

O enredo conta com uma relação que nasce na infância, floresce na adolescência e chega a se tornar realidade na fase adulta. Mas não é um romance perfeito, pois devido aos ciúmes, pode ou não ter ocorrido uma traição. Porém fica a julgamento do leitor, se ele acredita ou não em Dom Casmurro.


A Escrava Isaura (Bernardo Guimarães)

quinta-feira, 11 de junho de 2015




Mesmo sendo leitura obrigatória para determinados vestibulares e estando em algumas listas dos melhores livros da literatura brasileira, eu odiei a Escrava Isaura (Bernardo Guimarães)... Não há nada que surpreenda!

Afinal, apesar de Bernardo Guimarães escrever sobre a escravidão antes da abolição da mesma no Brasil, já não era mais novidade, pois o livro foi escrito mais de dez anos depois da abolição da escravidão negra americana. 

Uma coisa que me incomodou, é que o autor não desenvolve a temática de escravidão, os sofrimentos etc.: Trata-se apenas de um romance bobo e chato.

O principal elemento da história é o amor, pois Leôncio nutre um amor obsessivo por Isaura, sua escrava, e Álvaro, por sua vez, mesmo sendo da alta classe, ama a pobre escrava por sua simplicidade e beleza (nem um pouco clichê). 

A única parte que realmente gostei do livro, é lá para o final dele, onde há algumas duas páginas em que Álvaro e seu amigo advogado discutem sobre a escravidão, a sociedade, os preconceitos e coisas relevantes, que realmente nos fazem pensar. Se o livro tivesse mais trechos assim, com certeza seria muito melhor.


TRECHO ÁLVARO E GERALDO DISCUTINDO SOBRE A ESCRAVIDÃO

- E agora, o que pretendes fazer?...

- Pretendo requerer que Isaura seja mantida em liberdade, e que lhe seja nomeado um curador a fim de tratar do seu direito.

- E onde esperas encontrar provas ou documentos para provar as alegações que fazes?

- Não sei, Geraldo; desejava consultar-te, e esperava-te com impaciência precisamente para esse fim. Quero que com a tua ciência jurídica me esclareças e inspires neste negócio. Já lancei mão do primeiro e mais óbvio expediente que se me oferecia, e logo no dia seguinte ao do baile escrevi ao senhor de Isaura com as palavras as mais comedidas e suasivas, de que pude usar, convidando-o a abrir preço para a liberdade dela. Foi pior; o libidinoso e ciumento Rajá enfureceu-se e mandou-me
em resposta esta carta insolente, que acabo de receber, em que me trata de sedutor e acoutador de escravas alheias, e protesta lançar mão dos meios legais para que lhe seja entregue a escrava.

- É bem parvo e descortês o tal sultanete, - disse Geraldo depois de ter percorrido rapidamente a carta, que Álvaro lhe apresentou; - mas o certo é que, pondo de parte a insolência...

- Pela qual há de me dar completa e solene satisfação, eu o protesto.

- Pondo de parte a insolência, se nada tens de valioso a apresentar em favor da liberdade da tua protegida, ele tem o incontestável direito de reclamar e apreender a sua escrava onde quer que se ache.

- Infame e cruel direito é esse, meu caro Geraldo. É já um escárnio dar-se o nome de direito a uma instituição bárbara, contra a qual protestam altamente a civilização, a moral e a religião. Porém, tolerar a sociedade que um senhor tirano e brutal, levado por motivos infames e vergonhosos, tenha o
direito de torturar uma frágil e inocente criatura, só porque teve a desdita de nascer escrava, é o requinte da celeradez e da abominação.

- Não é tanto assim, meu caro Álvaro; esses excessos e abusos devem ser coibidos; mas como poderá a justiça ou o poder público devassar o interior do lar doméstico, e ingerir-se no governo da casa do
cidadão? que abomináveis e hediondos mistérios, a que a escravidão dá lugar, não se passam por esses engenhos e fazendas, sem que, já não digo a justiça, mas nem mesmo os vizinhos, deles tenham conhecimento?... Enquanto houver escravidão, hão de se dar esses exemplos. Uma instituição má produz uma infinidade de abusos, que só poderão ser extintos cortando-se o mal pela raiz.

- É desgraçadamente assim; mas se a sociedade abandona desumanamente essas vítimas ao furor de seus algozes, ainda há no mundo almas generosas que se incumbem de protegê-las ou vingá-las. Quanto a mim protesto, Geraldo, enquanto no meu peito pulsar um coração, hei de disputar Isaura à escravidão com todas as minhas forças, e espero que Deus me favorecerá em tão justa e santa causa.

Doidas e Santas (Martha Medeiros)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015


Esse livro, Doidas e Santas (Martha Medeiros) é sensacional. São várias crônicas lindíssimas sobre mulheres, o dia a dia e a vida.

É aquele tipo de livro para se ler de novo e de novo, se emocionar e perceber que todos os seres humanos tem um cantinho na alma em comum.

“Tarde demais, nascemos.

E uma vez nascidos, viramos homens e mulheres que tentam extrair alegrias de onde só brota dificuldade, que participam deste carnaval de sensações fartamente oferecidas dia após dia: paixões e melancolias ao nosso dispor, bastando estarmos predispostos à vida. Uma vez nascidos, temos uma cara, um corpo e a nossa alma, principalmente a alma, nosso DNA espiritual, avesso a manipulações de qualquer espécie. Tentem, mas vai ser difícil nos transformar em pedra, parede, concreto.”

(Martha Medeiros, crônica ‘Tarde demais, nascemos’ – 23/07/2006)



Adorei o livro, sério.

O Menino Narigudo (Walcyr Carrasco)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014



Li esse livro devido a uma meta de leitura da escola, e gostei muito.

O menino narigudo (Walcyr Carrasco) é uma adaptação da peça teatral Cyrano de Berjerac do frânces Edmond Rostand, e trata-se de vários assuntos, como a amizade, o bullying, os estereótipos e a valorização do bonito e do superficial.

É um livro curtinho e infanto-juvenil, mas muito bom para refletirmos sobre esse mundo que atualmente só se importa com a aparência e desprezam muitas vezes o interior e a inteligência, itens tão importantes para a formação de uma pessoa interessante e relevante.


 
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