Capitães da Areia (Jorge Amado)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Não li muitos livros brasileiros, principalmente os clássicos, mas dentre os que li o que mais gostei até hoje, foi Capitães da Areia, de Jorge Amado.

A história é sobre um grupo de moleques marginalizados que precisam cometer ações para sua própria sobrevivência. Há vários personagens, como Pedro Bala, Sem Pernas, Volta Seca, o Professor, Dora entre outros.

Esses garotos cometem pequenas infrações tentando obter algum conforto e estabilidade a suas vidas. E há duas visões diferentes em relação aos garotos: eles contam com ajuda de alguns (o padre, por exemplo), e o julgamento de outros (o diretor do reformatório e o jornal, por exemplo).

É interessante como o livro continua tão atual. Com essa discussão que se teve sobre a Maioridade Penal, quem já leu Capitães acredito que tem outra visão em relação a essas crianças do mundo do crime. É trabalhado no livro, o fato de que muitas crianças cometem esses atos não porque querem, mas porque não possuem oportunidades e são condicionadas pelo sistema a fazer o que fazem.
É uma triste realidade.

A narrativa é bem leve (se comparado a outros livros de vestibular), o enredo bem legal e jovial. A linguagem é informal e os personagens são carismáticos: é fácil se identificar, sentir pena e torcer por eles.


Mesmo para quem não vai fazer vestibular, indico esse livro, é bem gostosinho de ler, e brasileiro!


Misto Quente (Charles Bukowsky)

terça-feira, 4 de agosto de 2015


“Qualquer outra coisa, qualquer outra coisa que me fizesse parar de afundar nessa existência tediosa, trivial e covarde”.

Livro maravilhoso de Charles Bukowsky, Misto Quente é meio que uma autobiografia da infância do autor.  Entretanto, no livro, Bukowsky faz uso de seu alter ego, Henry Chinaski, e conta para nós a história, que se passa por volta dos anos 1920 até mais ou menos 1940. Durante a leitura, achei muito engraçado como os EUA nos anos 30 parecia tanto com o Brasil nos anos 80.

O enredo é narrado com crueza e sem pudor. É a pura realidade de Bukowsky, e é muito legal como o autor não se oprime e não deixa nenhum fato ou sentimento vergonhoso de lado: tem ele apanhando do pai; um colega batendo uma para o cachorro; ele desistindo de transar com uma mulher mesmo ela estando nua, na frente dele; ele dando vários PTs depois das bebedeiras; apanhando em brigas; enfim, a juventude de Henry Chinaski foi bem conturbada.

O enredo passa por várias temáticas como sexo, depressão, adolescência, brigas, família, amigos, isolamento, aquela sensação de não se encaixar, a pobreza, a desigualdade, enfim, o que mais tem nesse livro é Henry reclamando do cabaço, dos pais, da sociedade, da escola e claro, muitas BRIGAS. Gente, a cada dois capítulos tem porrada. Como esse povo brigava!



O livro tem várias passagens excelentes, como a do título dessa resenha, é muito filosófico, pessimista e como já disse antes, real. Peguei alguns trechos para vocês:

1- “O problema era que você tinha que continuar escolhendo entre o ruim e o pior, e não importa a escolha eles arrancariam mais um pedacinho de você, até não restar mais nada. Aos 25 anos a maioria estava acabada. Toda uma maldita nação de bunda-moles dirigindo automóveis, comendo, tendo bebês, fazendo tudo da pior forma possível, como votar em candidatos à presidência que os lembrassem de si mesmos.

Eu não tinha interesses. Não tinha interesse em nada. Não tinha ideia de como iria escapar. Pelo menos, os outros, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que eu não entendia. Talvez eu estivesse por fora. Era possível. Eu frequentemente me sentia inferior. Só queria ir para longe deles. Mas não havia nenhum lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho ainda. Sentia vontade de dormir uns cinco anos seguidos, mas eles não me deixariam.”

2-“Reunidos em volta de mim estavam os fracos ou invés dos fortes, os feios ao invés dos bonitos, os perdedores ao invés dos ganhadores. Parecia ser meu destino viajar naquelas companhias por toda a vida. Isso não me aborrecia tanto quanto o fato de que eu parecia irresistível para esses companheiros idiotas e estúpidos. Eu era como um lixo que atraía moscas em vez de uma flor desejada por borboletas e abelhas.”.

3-“Eu podia ver o meu futuro bem na frente. Era pobre e continuaria sendo pobre. Mas não era particularmente dinheiro que eu queria. Eu não sabia o que eu queria. Sim, sabia. Queria um lugar para me esconder, algum lugar onde uma pessoa não tivesse que fazer nada. O pensamento de me tornar alguma coisa, não apenas me apavorava, mas me deixava enojado. O pensamento de me tornar advogado, um membro do conselho ou um engenheiro, qualquer coisa assim, parecia impossível para mim. Casar, ter filhos, ficar enroscado na estrutura familiar. Ter que ir para algum lugar todos os dias trabalhar e voltar. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, tomar parte em piqueniques familiares, Natal, 4 de Julho, o Dia do Trabalho, o Dia das Mães... será que um homem nasce apenas para suportar essas coisas todas e depois morre?”.

4- “E minhas próprias coisas eram tão más e tristes, como o dia em que nasci. A única diferença era que agora eu podia beber de vez em quando, apesar de nunca ser o suficiente. A bebida era a única coisa que não deixava o homem ficar se sentindo inútil e atordoado o tempo todo. Tudo mais te pinicando, te ferindo, despedaçando. E nada era interessante, nada. As pessoas eram limitadas e cuidadosas, todas iguais. E eu teria que viver com esses putos pelo resto da minha vida, pensava. Deus, eles todos tinhas cus, e órgãos sexuais e seus sovacos. Eles cagavam e tagarelavam e eram tão inertes quanto bosta de cavalo. As garotas pareciam boas à distância, o sol provocando transparências em seus vestidos, refletido em seus cabelos. Mas chegue perto e escute o que elas tem na cabeça sendo vomitado pelas suas bocas. Você ficava com vontade de cavar um buraco sobre um morro e ficar escondido com uma metralhadora”.


Bom, para finalizar, posso dizer que amei o livro, ele é curto, bem rápido de ler, a narrativa é super gostosa, o enredo é bem legal e muito atual, e principalmente para você, jovem revoltado, leia Misto Quente, e você verá que não está sozinho nessa ;)

Não Conte a Ninguém (Harlan Coben)

sexta-feira, 31 de julho de 2015


O livro Não conte a ninguém do aclamado Harlan Coben é bom, mas possui muitos defeitos. Outro fator que pode ter influenciado minha leitura, foi que a poucos meses li Garota Exemplar, e a história é muito parecida.

O enredo é sobre a história de Beck, um pediatra que perdeu a mulher, Elizabeth, em um atentado suspeito enquanto estavam comemorando mais um ano de casamento.

Após oito anos do acidente trágico onde a esposa saiu morta por um suposto serial killer, Beck passa a receber e-mails com conteúdos que só sua companheira sabia. Será que ela está viva, ou alguém está fazendo uma brincadeira de mau gosto?

Ao mesmo tempo em que Beck fica confuso com os e-mails, dois corpos aparecem perto da onde Beck e sua esposa sofreram o ataque, e então a polícia reabre o caso, e começam a duvidar que Elizabeth fora morta por um serial killer: a culpa cai sobre Beck.

Ele então precisa provar sua inocência, descobrir o remetente dos e-mails, encaixar as peças perdidas do caso de Elizabeth e fugir dos perigos à espreita.

Os acontecimentos são bem frenéticos, tornando o enredo interessante. A leitura é bem fácil e rápida. O que me incomodou mesmo neste livro, foram os absurdos. Odeio ler livros que querem falar da vida real (não tem elementos místicos e mágicos), mas possuem situações bizarras e improváveis. Falarei mais sobre os absurdos nos spoilers...

Foi meu primeiro livro do autor, e não pretendo lê-lo novamente tão brevemente, já que ouvi boatos de que todos seus livros seguem mais ou menos o mesmo padrão. Mas este livro em particular é uma boa leitura de entretenimento, só podia ser menos ‘viajado’.

(MOMENTO DESABAFO) - SPOILER
                       
O cara (Beck) mata um homem e vai comemorar o casamento de boa? Nenhum peso na consciência, nenhuma palavra a respeito com a esposa sobre o acontecido?

Tem algumas partes muito novela mexicana, como um traficante parar sua vida para ajudar um médico, um médico fugindo da polícia, matando um cara; o motivo da coisa toda: o pai de um playboyzinho querer vingança?. What?

Não dar final para os outros personagens? Linda, Shaune, Tyrese?


O livro também tem um final muito clichê. Sério? Elizabeth viva o tempo todo e o casal perfeito juntos no final novamente? Mais criatividade, por favor.

Maze Runner - Cura Mortal (James Dashner) #3

quarta-feira, 22 de julho de 2015


Terceiro e ‘último’ livro da trilogia Maze Runner, Cura Mortal, é bem enrolado e deixa a desejar.

A história continua nesse terceiro volume começa na sede da CRUEL: ela que, apesar de seus esforços não consegue chegar a um consenso, diz aos meninos da Clareira que não os manipulará novamente: tirará os chips dos meninos. Porém, como essa não é a primeira vez que é prometido isso, os Clareanos ficam desconfiados.

Há uma revolta por parte desses adolescentes, e eles conseguem escapar da sede da CRUEL, e ir ao mundo real. Lá, presenciam o problema do Furor, e a aventura continua. Mas claro, não do jeito que eu esperava.

Acredito que o problema do enredo dessa trilogia, seja a falta de coerência.

Por exemplo, por que Thomas não mata o homem rato quando tem a oportunidade? Thomas não recupera a porra da memória por que não quer ser dominado? Não faz sentido... Outra coisa incoerente é que Newt ficou mais de dois anos na Clareira e nunca apresentou nenhum sinal do Furor. Claro, é falado que o Furor demora a domar o cérebro, mas tanto assim? A CRUEL é simplesmente uma instituição que quer causar dor e terror? Controlar as pessoas? Por quê? Por mero prazer? Nada disso é explicado e nenhum dos Clareanos tenta entender os experimentos da CRUEL, ou ver se eles têm possibilidade de funcionar ou não.

Achei muito fraco o desfecho, nada é realmente explicado, e quem quiser saber, precisa ler os livros complementares. Obrigada James, mas não.



MOMENTO DESABAFO - SPOILER


O triângulo amoroso é muito escroto. A saída deles da sede é pífia. A luta final com o homem rato? Um lixo. É patética a facilidade com que Thomas coloca o dispositivo na CRUEL. Se o autor seda o personagem, não vai pô-lo para correr e salvar o mundo 5 minutos depois. Não gosto de ler coisas sem sentido.


Odiei.

Maze Runner - Prova de Fogo (James Dashner) #2

terça-feira, 14 de julho de 2015


Achei esse segundo volume de Maze Runner, Prova de Fogo, o melhorzinho da trilogia.

Logo nas primeiras páginas descobrimos que o resgate dos meninos do labirinto foi momentâneo: a CRUEL tem outros planos e testes para eles.

A ideia de haver mais um grupo como os Clareanos, o grupo B, que também vivia em meio a um labirinto, foi bem legal e deu todo um dinamismo que faltou na história do primeiro livro. 

Esse livro é superior ao primeiro, pois temos mais explicações sobre o porquê das coisas acontecerem com os garotos da Clareira. Agora há um propósito.

O cenário desse volume também se expande: os garotos não estão mais trancafiados e sim soltos em um mundo devastado e quente. 

O romance de Thomas e Teresa – aff. Desde o primeiro livro que acho o relacionamento dos dois meio forçado, e o lengalenga só piora a situação. O dilema Teresa é bem chatinho também: trairá ou não trairá Thomas? É cansativo e repetitivo.

Acostumei-me com as expressões como mértila e trolho, que me irritaram um pouco no outro livro. Como já conhecemos os personagens, ficou mais fácil de criar uma simpatia por eles. A narrativa continuou corrida e cheia de ação, o que é muito bom.

Como há disse, Prova de Fogo é bem melhor que Correr ou Morrer, não excepcional, mas agradável.

Maze Runner - Correr ou Morrer (James Dashner) #1

domingo, 5 de julho de 2015


Essa trilogia que estourou em 2014 devido ao filme, Maze Runner, é uma distopia bem fraquinha ao meu ponto de vista. O primeiro livro é Correr ou Morrer.

A história começa com um garoto, Thomas, chegando a um local desconhecido e sem memória. Logo ele é informado de que está em uma concentração (denominada Clareira) de garotos adolescentes, que estão em um treinamento/teste para alguma missão futura também desconhecida.

As únicas coisas que eles sabem são que: a Clareira é cercada por um labirinto enorme que muda de disposição todos os dias; nesse labirinto há monstros terríveis e mortais chamados Verdugos; e o objetivo deles na concentração é achar uma saída. Quando Thomas chega, há meninos que estão na Clareira há tempos, e eles não conseguem solucionar o labirinto.

Então, após sua chegada, ele é informado que cada um na Clareira tem uma função (cozinhar, limpar, vasculhar o labirinto etc.). Mas, com a chegada de uma menina nessa concentração masculina, as coisas começam a ficar realmente estranhas.


Achei a história meio lenta, e todo o mistério que fazem quando Thomas chega à Clareira é um saco para ele, e para nós, leitores. A narrativa é muito repetitiva: para os que já leram, quantas vezes Thomas fala que queria ser um Corredor? Ou que tinha várias perguntas, mas ninguém respondia? Ou que conhecia a menina misteriosa de algum lugar? Já entendemos!

Quanto a narrativa, é corrida e cheia de ação, mas também permeada de diálogos bobos, principalmente para adolescentes de 16, 17 anos. Demora a começar o que realmente interessa. O personagem principal é chato e estúpido, e os demais não são melhores: não se cria apatia por eles.


O enredo é meio contraditório também: Thomas inicialmente pensa/fala que não reconhece a garota que chega à Clareira, segundos depois pensa ter uma ligação com ela. Conta que o Labirinto muda todos os dias, mas resolvem procurar pelo Verdugo morto no outro dia... Não era para o animal estar em outro lugar? James, tome uma decisão!


Sinceramente, não gostei não.

Clube da Luta (Chuck Palahniuk)

terça-feira, 30 de junho de 2015


Um livro que esteve em alta esse ano foi Clube da Luta, e eu nem sei bem por que. Mas o fato é que é muito bom.

A história é sobre um cara que desconhecemos o nome, frustrado com sua vida rotineira e sem sentido. Para se sentir melhor, ele frequenta grupos de apoio (a pessoas com câncer, por exemplo), tentando provar a si mesmo que sua vida não é tão bosta.

Até que um dia ele conhece Tyler, um cara meio doido e que luta contra o sistema. Tyler propõe então a nosso narrador, que eles lutem entre si, para descarregar as frustrações. E é daí que surge o Clube da Luta, um lugar feito para tirar a vida da normalidade através da violência.

O clube começa a crescer e Tyler a ficar ambicioso: ele começa a envolver seus planos revolucionários ao Clube da Luta. O objetivo é pregar peças a Elite e consequentemente promover uma anarquia.

O livro não é muito grande, a narrativa é bem frenética e gostosa de ler. O teor crítico do livro é muito interessante. Olhem esse trecho maravilhoso...

‘Tyler perguntou contra o que eu estava lutando de verdade.

O que Tyler fala sobre sermos o lixo e os escravos da história é como eu me sinto. Queria destruir todas as coisas bonitas que nunca tive. Queimar a floresta tropical amazônica. Bombear CFC direto para a camada de ozônio. Abrir as válvulas de descarga dos tanques dos superpetroleiros e destampar as plataformas de petróleo em alto-mar. Queria matar todos os peixes que não consigo comprar para comer e sujar todas as praias francesas que nunca verei.

Queria que o mundo todo chegasse ao fundo do poço’

Indico a leitura de Clube da Luta, gostei bastante.

 
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